A candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a ser alvo de questionamentos nos bastidores do PL após novas revelações sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao caso Banco Master.
Segundo aliados ouvidos nos últimos dias, Flávio teria mantido em sigilo a extensão de sua relação com Vorcaro até depois do prazo de desincompatibilização, em abril. A avaliação interna é que, caso essas informações viessem à tona antes, a pressão pela troca de candidatura poderia ter crescido dentro do partido.
Nos bastidores, parlamentares do PL afirmam que o senador havia negado qualquer vulnerabilidade envolvendo o caso quando o tema ganhou força no Congresso, após o Carnaval. Publicamente, Flávio também negou proximidade com Vorcaro em março, depois que foi revelado que seu celular constava na agenda do ex-banqueiro.
A situação se agravou após a imprensa noticiar que Vorcaro financiou um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2025, Flávio teria cobrado o atraso no pagamento de parcelas relacionadas ao projeto. Mesmo após a prisão de Vorcaro, o senador teria ido visitá-lo em São Paulo.
Para integrantes do PL, a falta de transparência colocou o partido em uma posição defensiva. Um deputado da sigla afirmou que Flávio deveria ter sido franco com a cúpula partidária antes do prazo de desincompatibilização, quando ainda haveria possibilidade de discutir alternativas eleitorais, como o nome do governador Tarcísio de Freitas.
Apesar do desgaste, Jair Bolsonaro voltou a sinalizar ao partido que a candidatura do filho está mantida e que não há “plano B”. A declaração busca conter especulações internas, mas não elimina a preocupação de aliados com o impacto político do caso.
Interlocutores de Flávio também avaliam que o senador ficou tempo demais sem dar explicações públicas sobre Vorcaro, especialmente entre a prisão do ex-banqueiro, em novembro, e o período pós-Carnaval. Nesse intervalo, Flávio chegou a passar cerca de três semanas em viagem pela França e pelo Oriente Médio, o que teria ajudado a prolongar o silêncio sobre o tema.
Agora, o desafio do senador é tentar reorganizar sua defesa política e reduzir o desgaste dentro do próprio campo bolsonarista. Para aliados, se Flávio não conseguir sair rapidamente desse “inferno astral”, sua candidatura pode enfrentar dificuldades crescentes até se tornar eleitoralmente inviável.





