Vídeo de ativistas ajoelhados e amarrados após ação de Israel provoca reação internacional

A divulgação de um vídeo mostrando ativistas da flotilha com destino à Faixa de Gaza ajoelhados e com as mãos amarradas gerou forte reação internacional nesta quarta-feira (20). As imagens foram publicadas no Telegram pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, e provocaram críticas de países como Itália, Irlanda, Espanha, França e […]

A divulgação de um vídeo mostrando ativistas da flotilha com destino à Faixa de Gaza ajoelhados e com as mãos amarradas gerou forte reação internacional nesta quarta-feira (20). As imagens foram publicadas no Telegram pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, e provocaram críticas de países como Itália, Irlanda, Espanha, França e Indonésia.

No vídeo, os detidos aparecem alinhados no chão enquanto o hino nacional israelense toca ao fundo. A gravação foi considerada ofensiva por governos estrangeiros, que cobraram explicações de Israel sobre o tratamento dado aos participantes da missão.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou a divulgação das imagens e afirmou que a forma como os ativistas foram tratados “não está de acordo com os valores e normas de Israel”. Apesar disso, o premiê defendeu a interceptação da flotilha, alegando que a ação tinha como objetivo desafiar o bloqueio imposto à Faixa de Gaza.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou as imagens como “inaceitáveis” e disse que os manifestantes, incluindo cidadãos italianos, foram submetidos a um tratamento que fere a dignidade humana. O governo italiano informou que atua em alto nível diplomático para garantir a libertação imediata dos italianos detidos e pediu desculpas formais pelo ocorrido.

A Irlanda também reagiu ao episódio. A ministra das Relações Exteriores, Helen McEntee, afirmou estar “consternada e chocada” com o vídeo e disse que os participantes irlandeses não foram tratados com dignidade e respeito. Entre os detidos está Margaret Connolly, irmã da presidente irlandesa, Catherine Connolly.

Na Espanha, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, chamou o tratamento dado aos ativistas de “indigno e inumano”. O governo espanhol convocou a encarregada de negócios de Israel em Madri para pedir explicações formais.

A França também cobrou esclarecimentos. O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, classificou a conduta de Ben Gvir como “inadmissível” e convocou o embaixador israelense em Paris.

Já a Indonésia informou que nove cidadãos do país foram detidos, entre eles dois jornalistas do jornal Republika. O governo indonésio pediu a libertação imediata dos participantes e afirmou que os ativistas integravam uma missão humanitária.

As forças israelenses interceptaram os barcos na segunda-feira (18), nas proximidades de Chipre. Segundo Israel, os 430 participantes foram levados ao porto de Ashdod, no sul do país.

A ONG Adalah, que acompanha a situação dos detidos, afirmou que os ativistas foram levados a Israel contra a vontade deles após a abordagem em águas internacionais. A organização acusa o governo israelense de violar o direito internacional.

De acordo com os organizadores da flotilha, cerca de 50 embarcações partiram da Turquia com o objetivo de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e protestar contra o bloqueio israelense ao território palestino.

O caso amplia a pressão diplomática sobre Israel e reacende o debate internacional sobre os limites da atuação militar no bloqueio a Gaza, especialmente quando envolve missões humanitárias e cidadãos estrangeiros.