Mudança de Vorcaro para cela comum indica enfraquecimento de delação, diz fonte da investigação

A transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal acendeu um alerta sobre o futuro de sua possível delação premiada. A mudança ocorreu nesta segunda-feira (18) e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo uma fonte ligada à investigação, a alteração […]

A transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal acendeu um alerta sobre o futuro de sua possível delação premiada. A mudança ocorreu nesta segunda-feira (18) e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo uma fonte ligada à investigação, a alteração no local de custódia é vista como um forte indicativo de que a colaboração de Vorcaro perdeu força e pode não avançar. A avaliação é de que as apurações devem seguir sem a participação efetiva do ex-banqueiro.

Até então, Vorcaro estava preso em uma sala de estado-maior da PF desde março, onde tinha condições diferenciadas para se reunir com advogados em horários mais flexíveis. O espaço havia sido mantido justamente por causa das tratativas relacionadas à delação.

De acordo com investigadores, a proposta apresentada pela defesa não teria avançado em pontos considerados relevantes pela Polícia Federal. A fonte afirma que a investigação já teria informações mais amplas do que aquelas oferecidas pelo ex-dono do Banco Master.

Entre os pontos citados estão supostos pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira e a negociação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro para repasses milionários destinados à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Esses temas, segundo a fonte, não teriam sido devidamente esclarecidos na proposta de colaboração.

Nos bastidores, integrantes da investigação avaliam que Vorcaro demonstrou resistência em entregar informações consideradas centrais. Uma fonte afirmou que o ex-banqueiro teria adotado uma postura “arrogante” e estaria apostando em uma solução política ou jurídica semelhante a casos anteriores de grande repercussão.

Outra fonte próxima ao caso explicou que a mudança de cela também tem relação prática com o andamento da proposta. Como a defesa já entregou o material inicial à PF e à Procuradoria-Geral da República, não haveria mais justificativa para manter Vorcaro em um regime diferenciado de custódia.

Apesar da transferência, a proposta ainda deve ser analisada pelas autoridades responsáveis. No entanto, a avaliação dentro da investigação é de que, caso não haja avanços significativos, o caso seguirá sem acordo de colaboração com o ex-banqueiro.