Minas Gerais foi o único estado onde liderança presidencial mudou entre o 1º e o 2º turno

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Flávio Bolsonaro havia vencido no estado no primeiro turno, mas Lula virou a disputa no domingo e terminou à frente por margem apertada

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Minas Gerais foi o único estado brasileiro em que a liderança na disputa presidencial mudou entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) havia sido o candidato mais votado no estado, com 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No segundo turno, realizado neste domingo, 25 de outubro, o cenário se inverteu: Lula passou à frente e terminou com cerca de 50,4% dos votos válidos, contra aproximadamente 49,6% de Flávio.

Diferença de quase 590 mil votos foi revertida

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia recebido aproximadamente 5,78 milhões de votos em Minas Gerais, enquanto Lula somou cerca de 5,19 milhões.

A diferença favorável ao candidato do PL era superior a 588 mil votos.

No segundo turno, Lula conseguiu reverter essa desvantagem e terminou a disputa estadual com vantagem de pouco mais de 100 mil votos, considerando a apuração praticamente concluída.

Minas confirmou tradição histórica

A virada chama atenção também por uma característica histórica do eleitorado mineiro.

Desde 1989, ano da primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, o candidato mais votado em Minas Gerais também acabou sendo eleito presidente da República.

Em 2026, a tradição voltou a se repetir: Lula venceu em Minas e também conquistou a maioria dos votos válidos no resultado nacional.

Lula venceu eleição nacional

No resultado nacional, Lula foi reeleito com cerca de 51,8% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com aproximadamente 48,2%.

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No primeiro turno, o cenário havia sido diferente: Flávio terminou na frente nacionalmente, com 47,03%, enquanto Lula obteve 45,16%.

Com isso, o presidente conseguiu reverter uma desvantagem nacional de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os dois turnos.

Nenhum outro estado mudou de lado

Nos demais estados e no Distrito Federal, o candidato que havia terminado o primeiro turno à frente também venceu o segundo turno naquele território.

Flávio Bolsonaro permaneceu à frente em estados como:

  • São Paulo;

  • Rio de Janeiro;

  • Paraná;

  • Santa Catarina;

  • Rio Grande do Sul;

  • Goiás;

  • Mato Grosso;

  • Mato Grosso do Sul;

  • Espírito Santo;

  • Acre;

  • Rondônia;

  • Roraima;

  • Tocantins.

Lula manteve a liderança principalmente nos estados do Nordeste e em parte do Norte.

Lula ampliou votação em várias regiões

Mesmo sem conseguir mudar a liderança estadual em outras unidades da Federação, Lula ampliou sua votação em boa parte do país.

Dados consolidados mostram que o presidente recebeu cerca de 10,4 milhões de votos a mais no segundo turno em relação ao primeiro. Flávio, por sua vez, acrescentou aproximadamente 3,7 milhões de votos.

A diferença entre os dois candidatos se movimentou na direção de Lula em 5.389 dos 5.571 municípios brasileiros, segundo análise dos resultados do Tribunal Superior Eleitoral.

Nordeste ampliou vantagem de Lula

Um dos movimentos mais importantes aconteceu no Nordeste.

Lula já havia vencido nos nove estados da região no primeiro turno e ampliou seus percentuais no segundo.

Na Bahia, por exemplo, passou de 66,17% para 71,31% dos votos válidos. Em Pernambuco, avançou de 63,45% para 69,20%, enquanto no Ceará passou de 63,29% para 68,93%.

São Paulo teve grande crescimento em números absolutos

Apesar de não conseguir vencer em São Paulo, Lula registrou ali um dos maiores aumentos absolutos de votos.

O presidente passou de cerca de 9,5 milhões de votos no primeiro turno para mais de 12,1 milhões no segundo, um crescimento superior a 2,6 milhões de votos.

Flávio Bolsonaro, porém, manteve a liderança paulista.

Minas tem peso eleitoral decisivo

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo, com mais de 16 milhões de eleitores aptos em 2026.

O tamanho do eleitorado faz com que o desempenho dos candidatos no estado tenha impacto significativo no resultado nacional.

Em uma eleição decidida por diferença relativamente pequena, a recuperação de votos em Minas ajudou a reduzir a vantagem que Flávio havia construído no primeiro turno.

Virada ocorreu também em dezenas de cidades mineiras

O movimento não aconteceu apenas no resultado agregado do estado.

Levantamentos dos resultados municipais mostram que dezenas de cidades mineiras que haviam dado maioria a Flávio no primeiro turno passaram a registrar maioria de votos para Lula no segundo.

Uma análise apontou 76 municípios de Minas Gerais com esse tipo de virada, o maior número entre os estados brasileiros.

Mudanças também ocorreram em municípios de outros estados

Embora Minas tenha sido o único estado a mudar de vencedor, várias cidades brasileiras apresentaram inversão de liderança.

Entre elas estão municípios importantes como Rio de Janeiro, Osasco e Ananindeua, onde Lula passou à frente depois de Flávio ter liderado no primeiro turno.

Isso mostra que a manutenção da liderança estadual não significa que o comportamento eleitoral tenha permanecido igual em todas as cidades.

Resultado mineiro repetiu disputa apertada de 2022

Minas Gerais também havia registrado uma eleição extremamente equilibrada em 2022.

Naquele segundo turno, Lula venceu no estado com 50,20% dos votos válidos, contra 49,80% de Jair Bolsonaro.

Quatro anos depois, o estado voltou a apresentar uma margem pequena entre os dois finalistas da eleição presidencial.

Minas foi principal virada estadual de 2026

A eleição de 2026 mostrou mudanças importantes entre os dois turnos, mas apenas Minas Gerais registrou uma alteração completa de liderança em nível estadual.

Flávio Bolsonaro entrou no segundo turno com vantagem de quase 590 mil votos em Minas, mas Lula conseguiu reverter o cenário e terminou com pouco mais de 50% dos votos válidos no estado.

A mudança contribuiu para que Minas mantivesse uma característica observada desde 1989: o candidato vencedor no estado também terminou eleito presidente do Brasil.

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