Incêndios disparam no Amazonas em outubro e colocam dezenas de municípios em situação de emergência

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Estado registrou forte aumento nos focos de fogo em relação a 2025; governo federal ampliou operação com aeronaves, brigadistas e reconhecimento de emergência em 36 municípios

O Amazonas enfrenta uma forte disparada nos incêndios florestais em outubro de 2026, com crescimento expressivo no número de focos em comparação com o mesmo período do ano passado.

Nos dez primeiros dias de outubro, o estado contabilizou 1.380 focos de incêndio, contra 372 no mesmo intervalo de 2025 — uma alta de 271%, segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Estado teve centenas de focos em apenas 48 horas

A situação se agravou especialmente entre os dias 10 e 11 de outubro.

Nesse intervalo, o Amazonas registrou 540 novos focos de incêndio, número equivalente a mais da metade de todos os focos registrados no estado durante outubro de 2025.

Somente no dia 10 de outubro, foram identificados 494 focos, uma das maiores concentrações diárias registradas neste mês.

Número de focos em 2026 já supera todo o ano passado

O avanço das queimadas não se limita ao mês de outubro.

Entre 1º de janeiro e 10 de outubro de 2026, o Amazonas acumulou 7.583 focos, contra 3.589 no mesmo período de 2025.

Isso representa um aumento de aproximadamente 111%. O total parcial deste ano também já supera em cerca de 67% todos os 4.545 focos registrados durante o ano inteiro de 2025.

Situação de emergência foi reconhecida em 36 municípios

Diante do agravamento do cenário, o governo federal reconheceu a situação de emergência decretada no Amazonas para 36 municípios.

A medida facilita a mobilização de recursos e ações emergenciais para combater o fogo e reduzir os impactos sobre a população.

A resposta também envolve órgãos ambientais, Defesa Civil, Forças Armadas e governos estadual e municipais.

Aviões da FAB foram enviados para combater as chamas

A operação recebeu reforço da Força Aérea Brasileira (FAB).

Aeronaves KC-390 foram mobilizadas para auxiliar no combate aos incêndios, com capacidade para realizar lançamentos de grandes volumes de água sobre as áreas atingidas.

Um KC-390 pode despejar cerca de 12 mil litros de água por operação, e a previsão inicial era realizar até três lançamentos por dia.

Centenas de brigadistas atuam no estado

O governo federal também reforçou o efetivo em campo.

O Ministério do Meio Ambiente informou a mobilização de 290 brigadistas especializados, além de aeronaves adicionais para apoiar o combate direto aos incêndios.

Até 12 de outubro, o Ibama já havia extinguido 282 incêndios no Amazonas e permanecia atuando em outros oito focos ativos.

Maioria dos focos está em áreas públicas

Dados do Censipam indicam que, dos 1.380 focos registrados entre 1º e 10 de outubro:

  • 1.186 estavam em áreas públicas;

  • 93 em propriedades privadas;

  • 101 em áreas sem situação fundiária definida.

Também foram identificados focos em assentamentos federais, terras indígenas e unidades de conservação.

Parte dos incêndios está associada ao desmatamento

O levantamento apontou que pelo menos 174 focos estavam relacionados ao desmatamento.

Para os demais registros, os dados disponíveis naquele momento não permitiam determinar uma causa específica.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que os incêndios observados durante sobrevoos no estado têm origem humana.

Fogo atinge áreas de difícil acesso

Sobrevoos realizados por integrantes do governo federal identificaram incêndios em regiões de floresta de difícil acesso.

Esse cenário dificulta a atuação terrestre das equipes e aumenta a necessidade do uso de aeronaves no combate às chamas.

Capobianco retornou a Manaus nesta quarta-feira, 14 de outubro, para acompanhar as operações e participar de novo sobrevoo das áreas atingidas ao lado de representantes do Ibama e do ICMBio.

Fumaça compromete qualidade do ar

Além dos danos ambientais diretos, a fumaça provocada pelas queimadas tem afetado a qualidade do ar em Manaus e em cidades do interior.

Monitoramentos ambientais registraram níveis de poluição considerados muito ruins ou péssimos em diferentes regiões do estado durante outubro.

O material particulado fino presente na fumaça pode agravar problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares ou cardiovasculares.

Manaus não concentra a maior parte dos focos

Apesar da fumaça percebida na capital, Manaus responde por apenas uma pequena parcela dos incêndios detectados no estado.

Nos primeiros 12 dias de outubro, o município registrou quatro focos, enquanto cidades do interior concentraram a maior parte das ocorrências.

Entre os municípios com números elevados estavam Lábrea, Autazes e Boca do Acre.

O governo estadual também afirma que parte da fumaça que alcança o Amazonas pode ter origem em incêndios registrados em outras unidades da Federação.

Número diário começou a cair, mas risco permanece

Dados atualizados mostram que o número de detecções caiu depois dos picos registrados no fim da primeira quinzena.

Em 13 de outubro, o satélite de referência do Inpe identificou 50 focos no Amazonas, contra 186 no dia anterior.

A redução diária, porém, não significa que o problema esteja resolvido.

Especialistas e órgãos públicos continuam acompanhando a combinação de calor, baixa umidade, fumaça e vegetação seca, fatores que podem favorecer novos incêndios.

Temporada de fogo acende alerta ambiental

A disparada dos incêndios no Amazonas em outubro reforça a preocupação com a vulnerabilidade da floresta durante períodos mais secos.

Com aumento de 271% nos focos nos primeiros dez dias do mês, dezenas de municípios em emergência e milhares de ocorrências acumuladas em 2026, o estado enfrenta uma das situações mais graves de incêndios dos últimos anos.

As operações de combate seguem mobilizando equipes federais e estaduais, enquanto o monitoramento por satélite continua sendo usado para identificar novas áreas de risco.

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