Dos crediários ao pedido de recuperação judicial: a trajetória de 70 anos das Casas Bahia

Os 70 das Casas Bahia: do crediário e slogans-chiclete à RJ de R$ 17,3 bilhões A história das Casas Bahia, uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro, atravessa mais de sete décadas e chega a um de seus momentos mais delicados. Fundada em 1952 por Samuel Klein, a empresa cresceu com uma estratégia baseada […]

Os 70 das Casas Bahia: do crediário e slogans-chiclete à RJ de R$ 17,3 bilhões

A história das Casas Bahia, uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro, atravessa mais de sete décadas e chega a um de seus momentos mais delicados. Fundada em 1952 por Samuel Klein, a empresa cresceu com uma estratégia baseada no crediário e na venda de móveis e eletrodomésticos para consumidores das classes C, D e E. Agora, enfrenta uma crise financeira que envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas.

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A trajetória começou quando Samuel Klein chegou ao Brasil e passou a vender artigos de cama, mesa e banho, principalmente para trabalhadores migrantes nordestinos.

Em 1957, foi aberta a primeira loja, em São Caetano do Sul, no interior paulista. O negócio cresceu com a ampliação do catálogo para móveis e eletrodomésticos.

O crediário se tornou uma das principais ferramentas para conquistar consumidores que tinham dificuldade de realizar compras à vista.

Expansão transformou a marca em fenômeno nacional

Durante décadas, a Casas Bahia ampliou sua presença pelo estado de São Paulo antes de iniciar a expansão para outros mercados.

Nos anos 1970, o slogan “Dedicação total a você” passou a fazer parte da identidade da empresa e permaneceu associado à marca por décadas.

A partir dos anos 1990, a varejista chegou a Minas Gerais e ao Rio de Janeiro, iniciando uma nova etapa de crescimento nacional.

Mudanças societárias e chegada à Via Varejo

A história da empresa também foi marcada por mudanças na estrutura societária.

A operação envolvendo Casas Bahia e Pontofrio passou a integrar a Via Varejo após a incorporação de ativos da companhia da família Klein e das lojas Extra-Eletro.

Em 2019, o Grupo Pão de Açúcar deixou o negócio ao vender sua participação na Via Varejo. A empresa passou então a operar como uma corporation, sem um acionista controlador definido.

Reestruturações não impediram a crise financeira

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A companhia voltou a adotar o nome Casas Bahia em 2023, em uma tentativa de recuperar a identidade tradicional da marca.

No ano seguinte, realizou uma recuperação extrajudicial e conseguiu um acordo com Bradesco e Banco do Brasil para reperfilar R$ 4,1 bilhões em dívidas.

Em 2025, novas mudanças no controle societário ocorreram. A Mapa Capital, por meio da Domus, passou a deter títulos de dívida conversíveis em ações e, posteriormente, alcançou 82,11% do capital da companhia.

Recuperação judicial chega após prejuízo bilionário

O cenário se agravou em 2026. Após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar seus compromissos financeiros.

A empresa afirma enfrentar a pior crise financeira desde sua fundação, há mais de 70 anos.

Como parte dos esforços de reestruturação, a companhia já fechou 300 lojas e vem realizando cortes de funcionários.

De símbolo do varejo popular a um dos maiores desafios de sua história

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A trajetória das Casas Bahia mostra a transformação de um negócio construído sobre o crediário em uma das maiores marcas do varejo brasileiro.

Ao longo das décadas, a empresa enfrentou mudanças de mercado, transformações societárias, desafios financeiros e a necessidade de adaptação ao avanço do comércio digital.

Agora, diante de uma recuperação judicial que envolve R$ 17,3 bilhões em débitos, a tradicional varejista inicia mais um capítulo de sua história, desta vez concentrada em reorganizar suas finanças e tentar recuperar espaço em um mercado cada vez mais competitivo.