O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova estratégia nacional de combate ao terrorismo, que amplia a definição tradicional de terrorismo para além de grupos islâmicos. A nova política se concentra em dois pontos principais: a “neutralização” das ameaças hemisféricas, em especial as ações de cartéis de drogas, e a identificação e incapacitação de grupos políticos seculares violentos, como a Antifa.
De acordo com Sebastian Gorka, diretor sênior de contraterrorismo do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, a estratégia busca enfraquecer as operações dos cartéis, impedindo que suas drogas, membros e vítimas sejam transportados para os Estados Unidos. A abordagem também inclui a destruição de embarcações associadas ao narcotráfico, parte de uma operação maior que resultou na destituição do líder venezuelano Nicolás Maduro.
A nova estratégia vai além, focando também em grupos que, segundo Gorka, têm ideologias “antiamericanas, radicalmente pró-gênero ou anarquistas”. Isso inclui organizações como a Antifa, que para o governo Trump se enquadra dentro da definição ampliada de “terrorismo”. “Estamos levando ideologia e contraideologia muito a sério”, afirmou Gorka, destacando que os EUA estão comprometidos em combater qualquer ameaça à civilização ocidental e aos seus aliados.
Trump e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, têm encontro agendado para esta quinta-feira (7), e o combate ao crime organizado será um dos principais tópicos da reunião. A visita ocorre em um momento em que os Estados Unidos estão avaliando classificar as facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. Lula, no entanto, pretende convencer Trump a não seguir com essa classificação, argumentando que o Brasil trata o crime organizado com prioridade e apostando na cooperação bilateral para enfrentar o problema.
A classificação como organização terrorista abriria possibilidades para ações mais duras dos Estados Unidos, incluindo intervenções militares, o que é uma preocupação para o governo brasileiro. Em março deste ano, uma reportagem do The New York Times revelou que o governo dos EUA já estava se preparando para essa classificação. Lula busca evitar essa medida e propôs um diálogo mais estreito para garantir que o combate ao narcotráfico seja tratado de maneira cooperativa e sem a necessidade de ações militares no Brasil.





