Declaração do presidente dos EUA reforça abertura de diálogo com Havana, mas mantém tom de pressão em meio à grave crise econômica e energética vivida pela ilha.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo, 15 de março, que as negociações com Cuba continuam e que Washington poderá, em breve, fechar um acordo com Havana ou adotar outras medidas. A declaração foi dada a jornalistas a bordo do Air Force One e sinaliza que a política americana para a ilha pode entrar em uma nova fase nas próximas semanas.
“Cuba também quer fazer um acordo, e acho que muito em breve vamos fazer um acordo ou fazer o que tivermos que fazer”, disse Trump, em uma fala que mistura disposição para negociar com a manutenção de uma retórica dura. A declaração ocorre em um momento de tensão histórica entre os dois países, marcada por sanções, impasses diplomáticos e disputas em temas como migração e segurança.
Do lado cubano, o presidente Miguel Díaz-Canel confirmou na sexta-feira, 13 de março, que seu governo iniciou conversas com os Estados Unidos. Em pronunciamento exibido pela televisão estatal, ele afirmou que o objetivo é buscar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais entre os dois países e tirar a relação “do caminho da confrontação”.
A reaproximação ocorre em meio a uma das piores crises enfrentadas por Cuba nas últimas décadas. A ilha vive um colapso econômico e energético agravado pela escassez de petróleo, o que tem provocado apagões, restrições em serviços públicos e dificuldades no transporte e no funcionamento de setores essenciais. Nesta segunda-feira, 16 de março, a Associated Press relatou inclusive um apagão de alcance nacional em meio ao aprofundamento da crise elétrica cubana.
Nos últimos dias, Trump elevou o tom ao falar sobre Cuba e chegou a sugerir que o país estaria à beira do colapso. Segundo a Reuters, ele também mencionou a possibilidade de uma “tomada amigável”, antes de acrescentar que talvez ela não fosse tão amigável assim, ampliando a sensação de incerteza sobre qual caminho a Casa Branca pretende seguir.
Apesar do contato renovado, as divergências entre os dois governos seguem profundas. Autoridades americanas indicam que qualquer alívio da pressão dependerá de concessões políticas e econômicas por parte de Havana, enquanto a liderança cubana insiste que qualquer negociação precisa respeitar a soberania e a independência da ilha.
O novo capítulo na relação entre Estados Unidos e Cuba, portanto, combina sinais de distensão com ameaças veladas. Em meio ao cenário internacional ainda dominado pelos desdobramentos da crise com o Irã, a fala de Trump indica que Cuba voltou ao centro do tabuleiro geopolítico de Washington — desta vez, cercada por expectativas de diálogo, mas também por temores de uma escalada de pressão.



