Iliana Iotova recebeu 57,58% dos votos e derrotou o candidato Andrey Gyurov; vitória consolida sua chegada à Presidência e ocorre em meio a divisões políticas sobre a relação do país com Rússia, União Europeia e Ucrânia
A presidente interina da Bulgária, Iliana Iotova, venceu o segundo turno das eleições presidenciais realizado neste domingo, 1º de novembro de 2026, e se tornou a primeira mulher eleita democraticamente para comandar o país europeu.
Com quase todas as urnas apuradas, a chapa formada por Iotova e pelo candidato a vice-presidente Kiril Valchev recebeu 57,58% dos votos, enquanto a candidatura de Andrey Gyurov e Georgi Kandev alcançou 39,47%. Os dados foram divulgados pela Comissão Eleitoral Central da Bulgária nesta segunda-feira, 2 de novembro.
A vitória representa um marco histórico para o país balcânico e fortalece o grupo político do primeiro-ministro Rumen Radev, que apoiou a candidatura de Iotova.
Primeira mulher eleita presidente da Bulgária
Aos 62 anos, Iliana Iotova construiu uma trajetória política que inclui passagens pelo Parlamento búlgaro e pelo Parlamento Europeu.
Antes de assumir interinamente a Presidência, ela ocupou o cargo de vice-presidente durante os mandatos de Rumen Radev.
Em janeiro de 2026, passou a exercer a função presidencial após a renúncia de Radev, que deixou o cargo para disputar as eleições parlamentares.
Com a vitória nas urnas, Iotova conquistou seu próprio mandato presidencial, tornando-se a primeira mulher escolhida diretamente pelos eleitores para ocupar a chefia de Estado da Bulgária.
Resultado confirmou vantagem no segundo turno
A eleição presidencial foi decidida em duas etapas porque nenhum candidato conseguiu alcançar a maioria necessária no primeiro turno, realizado em 25 de outubro.
Na primeira votação, Iotova obteve aproximadamente 34,6% dos votos, enquanto Andrey Gyurov recebeu cerca de 32%.
No segundo turno, a diferença aumentou significativamente.
Segundo os resultados divulgados pela Comissão Eleitoral Central:
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Iliana Iotova e Kiril Valchev: 57,58%;
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Andrey Gyurov e Georgi Kandev: 39,47%;
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Votos em branco da opção de rejeição a todos os candidatos: 2,95%.
O resultado foi confirmado com aproximadamente 99,95% dos protocolos eleitorais processados.
Participação eleitoral permaneceu baixa
Apesar da diferença expressiva entre as candidaturas, a eleição foi marcada pela baixa participação dos eleitores.
A participação ficou em aproximadamente 27%, apenas alguns pontos percentuais acima do primeiro turno, quando cerca de 23% dos eleitores compareceram às urnas.
O cenário reflete um período de desconfiança política e dificuldades institucionais enfrentadas pela Bulgária.
A baixa participação também demonstra que, apesar da vitória expressiva em percentual, uma parcela limitada do eleitorado participou efetivamente da escolha presidencial.
Apoio de Rumen Radev fortaleceu candidatura
Um dos principais fatores políticos associados à vitória de Iotova foi o apoio do atual primeiro-ministro, Rumen Radev.
O partido Progressive Bulgaria, ligado a Radev, respaldou sua candidatura. A legenda também conquistou maioria absoluta no Parlamento nas eleições legislativas realizadas em abril de 2026, com 131 das 240 cadeiras.
A aproximação entre o governo e a Presidência poderá influenciar a condução das políticas nacionais e a relação entre as instituições búlgaras.
Analistas, entretanto, apontam que a concentração de influência política também levanta discussões sobre a independência institucional e os mecanismos de fiscalização do poder.
Relação com a Rússia esteve entre os principais temas
A política externa foi um dos assuntos mais importantes da campanha eleitoral.
Iotova defende uma solução diplomática para a guerra entre Rússia e Ucrânia e manifesta oposição ao envio de novos equipamentos militares búlgaros para Kiev.
A presidente eleita também defende o diálogo com Moscou e uma revisão das sanções impostas à Rússia.
Sua posição acompanha, em grande medida, a orientação política de Rumen Radev, que também defende negociações diplomáticas para encerrar o conflito.
Adversário defendia aproximação com o Ocidente
Andrey Gyurov, derrotado no segundo turno, representava uma candidatura apoiada por partidos reformistas e favoráveis a uma aproximação mais intensa com os países ocidentais.
Durante a campanha, defendeu o fortalecimento das relações com a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), além de manifestar apoio à Ucrânia.
A disputa eleitoral evidenciou diferenças importantes sobre o posicionamento internacional da Bulgária, especialmente diante da guerra no Leste Europeu.
Após a divulgação dos resultados, Gyurov reconheceu a derrota e afirmou que a decisão dos eleitores precisava ser respeitada.
Bulgária continuará na União Europeia e na OTAN
Apesar das posições de Iotova sobre a Rússia, a expectativa é de continuidade da participação búlgara nas instituições europeias e na aliança militar ocidental.
A Bulgária integra a OTAN desde 2004 e a União Europeia desde 2007.
A política externa da presidente eleita combina a defesa da permanência nesses organismos com a busca por relações diplomáticas mais próximas com Moscou.
Essa posição deverá continuar sendo acompanhada por governos europeus, especialmente diante das tensões relacionadas à guerra na Ucrânia.
Ataques no Mar Negro aumentaram preocupação regional
A eleição aconteceu em um momento de preocupação com a segurança marítima na região do Mar Negro.
Ataques com drones contra embarcações comerciais elevaram as tensões entre países próximos ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
Os incidentes provocaram mortes de trabalhadores marítimos e aumentaram a preocupação com a possibilidade de expansão dos riscos de segurança para áreas próximas ao território búlgaro.
Iotova e Gyurov condenaram os ataques, embora apresentassem diferenças sobre a política de segurança e o apoio militar à Ucrânia.
Presidência búlgara possui funções principalmente institucionais
Diferentemente de países com sistemas presidencialistas, a Bulgária possui um modelo parlamentarista.
Isso significa que o primeiro-ministro e o Parlamento concentram grande parte das decisões relacionadas à administração do governo.
A Presidência possui funções predominantemente institucionais, mas também exerce atribuições importantes, como:
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Comandar formalmente as Forças Armadas;
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Promulgar atos e exercer poder de veto sobre determinadas leis;
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Designar embaixadores conforme os procedimentos constitucionais;
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Representar o país em compromissos internacionais;
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Participar de procedimentos relacionados à formação de governos interinos.
O presidente também pode devolver projetos legislativos ao Parlamento para nova análise, embora o veto possa ser superado por maioria parlamentar.
Posse está prevista para janeiro de 2027
Com a vitória confirmada, Iliana Iotova deverá assumir oficialmente a Presidência em 22 de janeiro de 2027.
O mandato presidencial terá duração de cinco anos. Kiril Valchev, escolhido como vice-presidente, também participará da nova administração.
A cerimônia marcará o início de uma nova etapa política para a Bulgária, com a expectativa de continuidade das relações europeias e debates sobre a posição do país diante da Rússia e da guerra na Ucrânia.
Resultado representa mudança histórica na política búlgara
A vitória de Iliana Iotova representa um acontecimento histórico para a Bulgária, que terá pela primeira vez uma mulher eleita diretamente para a Presidência da República.
Ao mesmo tempo, o resultado fortalece o grupo político de Rumen Radev e evidencia as divisões existentes na sociedade búlgara sobre política externa, segurança e relações internacionais.
Com 57,58% dos votos, Iotova inicia uma nova etapa de sua trajetória política, assumindo o compromisso de buscar diálogo institucional e consenso nacional em um cenário marcado por desafios internos e tensões geopolíticas na Europa.

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