Lula cancela evento com 700 convidados às pressas para revisar decreto do ECA Digital

Presidente adiou lançamento após avaliar que precisava examinar com mais profundidade as regras que vão impor novas obrigações às plataformas digitais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou de última hora, nesta terça-feira (17), a cerimônia de lançamento do ECA Digital, que reuniria cerca de 700 convidados em Brasília. O adiamento ocorreu para que o presidente pudesse revisar pessoalmente os detalhes do decreto que seria assinado no evento.

A informação foi confirmada pelo secretário de Políticas Digitais da Secom da Presidência, João Brant. Segundo ele, o texto ainda não havia passado por um despacho mais detalhado com Lula, o que levou à decisão de suspender a cerimônia e remarcar o lançamento para a tarde desta quarta-feira (18), no Palácio do Planalto.

De acordo com Brant, apesar de o decreto já estar consolidado e sem divergências entre os ministérios, Lula preferiu aprofundar a análise técnica antes de dar aval à medida. A regulamentação é considerada estratégica porque estabelece novas regras para aumentar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

O decreto do ECA Digital deve obrigar plataformas e redes sociais a reverem a forma como seus sistemas funcionam para menores de idade. A proposta prevê barreiras ao acesso de crianças e adolescentes a conteúdos ilegais ou nocivos, além de exigir mais rapidez na remoção de materiais proibidos.

Entre os pontos centrais da regulamentação está a proibição de práticas consideradas manipulativas em contas de menores, como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos, sistemas de recompensa e notificações de jogos. O objetivo é reduzir mecanismos que incentivam permanência excessiva e exposição contínua a conteúdos sensíveis.

A fiscalização ficará sob responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que poderá aplicar advertências e sanções progressivas em caso de descumprimento. O governo também deve editar outros decretos complementares, incluindo a criação de um centro na Polícia Federal para receber denúncias de crimes contra crianças e adolescentes nas plataformas.

Sancionado em setembro do ano passado, o ECA Digital é uma das principais apostas do governo para ampliar a responsabilização das big techs na proteção de menores na internet.