TSE formou maioria para anular os votos de Anthony Garotinho; com nova totalização, candidato do PL deve ultrapassar 50% dos votos válidos e vencer a eleição ainda no primeiro turno
O deputado estadual Douglas Ruas (PL) deve ser declarado governador eleito do Rio de Janeiro após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formar maioria, nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, para manter o indeferimento da candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) e anular os votos recebidos pelo ex-governador.
A decisão muda o cálculo da eleição realizada no domingo, 4 de outubro. Na totalização inicial, Ruas havia terminado em primeiro lugar com 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes (PSD) recebeu 3.706.984 votos, ou 42,76%.
Com a retirada dos 274.411 votos recebidos por Garotinho, Douglas Ruas passa a superar a marca de 50% dos votos válidos, percentual necessário para vencer uma eleição para governador no primeiro turno. A nova totalização deverá ser feita pela Justiça Eleitoral.
TSE forma maioria e abre caminho para vitória no primeiro turno
O julgamento desta quinta-feira analisou a situação de Garotinho, que havia concorrido com o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.
Após o primeiro turno, o ex-governador apresentou ao TSE um pedido de desistência do recurso que tentava reverter a decisão.
Durante a sessão, porém, a Corte avançou sobre o mérito da questão e formou maioria para manter o indeferimento do registro e considerar inválidos os votos atribuídos a Garotinho.
Com isso, o cenário anteriormente previsto de um segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes, marcado para 25 de outubro, deve deixar de existir após a retotalização oficial.
Quem é Douglas Ruas?
Douglas Ruas dos Santos nasceu em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, em 17 de janeiro de 1989.
Ele é formado em Direito pela Universidade Estácio de Sá e possui pós-graduação em Gestão Pública pela mesma instituição.
Antes de entrar na política, Ruas atuou como policial civil e é servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
O político é filho de Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo.
Trajetória política começou em São Gonçalo
A carreira de Ruas na administração pública começou no município onde nasceu.
Entre 2017 e 2018, ele ocupou o cargo de subsecretário municipal de Trabalho de São Gonçalo.
Depois, entre 2019 e 2020, atuou como superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
Em 2021, passou a comandar a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo, permanecendo na função até 2022.
Foi eleito deputado estadual com quase 176 mil votos
Em 2022, Douglas Ruas disputou pela primeira vez uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Ele foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, alcançando a segunda maior votação para a Alerj naquele pleito.
Em setembro de 2023, licenciou-se do mandato parlamentar para assumir a Secretaria Estadual das Cidades, durante a gestão estadual.
Ruas permaneceu no comando da pasta até março de 2026.
Chegou à presidência da Alerj
Após retornar à Assembleia Legislativa, Douglas Ruas ganhou ainda mais espaço político.
Em 17 de abril de 2026, foi eleito presidente da Alerj com 44 votos favoráveis.
A votação ocorreu após disputas judiciais envolvendo o processo de escolha da direção da Assembleia.
A presidência da Casa colocou Ruas em uma posição de maior visibilidade antes da campanha para o governo estadual.
Candidatura ao governo foi oficializada pelo PL
Em julho, o Partido Liberal oficializou Douglas Ruas como candidato ao governo do Rio de Janeiro.
Sua chapa teve Fernanda Louback (PL) como candidata a vice-governadora e contou com uma coligação formada por PL, Mobiliza, Agir e Avante.
Durante a campanha, Ruas colocou temas como segurança pública, educação, geração de emprego e desenvolvimento dos municípios entre os assuntos centrais de sua candidatura.
Ruas terminou primeiro turno na liderança
Quando as urnas foram totalmente apuradas no domingo, Douglas Ruas apareceu em primeiro lugar com 49,27% dos votos válidos inicialmente contabilizados.
Eduardo Paes terminou na segunda posição com 42,76%, enquanto Anthony Garotinho recebeu 3,17%, apesar de sua candidatura estar sob análise judicial.
Inicialmente, os números indicavam a realização de um segundo turno entre Ruas e Paes.
A situação, entretanto, dependia do julgamento definitivo sobre a validade dos votos dados a Garotinho.
Por que os votos de Garotinho mudam o resultado?
Para vencer uma eleição majoritária em primeiro turno, um candidato precisa conquistar mais da metade dos votos válidos.
Quando os 274.411 votos dados a Garotinho estavam incluídos no cálculo, Douglas Ruas aparecia com 49,27%.
Com a anulação desses votos, o universo utilizado para calcular os percentuais diminui.
Nesse novo cálculo, Ruas passa para aproximadamente 50,9% dos votos válidos, ultrapassando a maioria absoluta necessária para ser eleito sem segundo turno.
Justiça Eleitoral ainda precisa fazer nova totalização
Embora o TSE tenha formado maioria pela anulação dos votos, a mudança precisa ser refletida formalmente nos resultados eleitorais.
A Justiça Eleitoral deverá realizar a retotalização dos votos do governo do Rio de Janeiro.
Depois desse procedimento, Douglas Ruas poderá ser oficialmente proclamado governador eleito do estado.
Por isso, a formulação correta neste momento é que Ruas deve ser declarado eleito, e não que a proclamação já tenha necessariamente sido concluída.
Decisão elimina necessidade de novo confronto com Eduardo Paes
Antes do julgamento, o segundo turno estava previsto para 25 de outubro.
Douglas Ruas e Eduardo Paes haviam sido anunciados pela própria Justiça Eleitoral como os dois candidatos classificados para essa etapa após a apuração inicial.
Com a decisão desta quinta-feira e a retirada dos votos de Garotinho do cálculo, o cenário muda.
Se a retotalização confirmar a maioria absoluta de Douglas Ruas, não haverá segundo turno para governador no Rio de Janeiro em 2026.
A mudança transforma uma disputa que parecia seguir para mais três semanas de campanha em uma eleição definida judicialmente poucos dias depois da abertura das urnas.

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