Estudo com quase 550 mil pacientes aponta associação entre medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy e maior risco de queda capilar. Especialistas afirmam que o principal fator é o emagrecimento acelerado e destacam medidas para minimizar o problema.
A crescente popularização das chamadas canetas emagrecedoras, utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, trouxe um novo tema para os consultórios médicos: a queda intensa de cabelo. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, identificou uma associação entre o uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 — como Mounjaro (tirzepatida), Ozempic e Wegovy — e um aumento no risco de perda capilar.
A pesquisa analisou dados de aproximadamente 550 mil pacientes acompanhados entre 2014 e 2024 e concluiu que, na maioria dos casos, a queda dos fios não é provocada diretamente pelo medicamento, mas sim pelas alterações provocadas pela rápida perda de peso.
Emagrecimento acelerado é o principal gatilho
Segundo especialistas, o organismo interpreta uma redução brusca na ingestão de calorias como um período de escassez nutricional. Diante desse cenário, o corpo prioriza o funcionamento de órgãos vitais, como cérebro, coração e rins, reduzindo temporariamente processos considerados menos essenciais, como o crescimento dos cabelos.
Esse quadro é conhecido como eflúvio telógeno, condição caracterizada pela queda acentuada dos fios após situações de estresse físico ou metabólico. Apesar de causar preocupação, os médicos explicam que o problema costuma ser temporário e tende a desaparecer quando o organismo se adapta e o peso corporal se estabiliza.
Além do eflúvio telógeno, o estudo também identificou casos em que o processo de emagrecimento acelerou a evolução da alopecia androgenética, condição genética responsável pelo afinamento progressivo dos fios.
Quanto maior a perda de peso, maior pode ser a queda
Especialistas afirmam que existe uma relação direta entre a velocidade do emagrecimento e a intensidade da queda capilar.
Segundo relatos clínicos apresentados por médicos da área de tricologia, pacientes que utilizam doses mais elevadas dos medicamentos ou apresentam perda rápida de peso tendem a desenvolver o eflúvio com maior frequência.
Mesmo pessoas com níveis adequados de vitaminas e minerais podem apresentar queda dos fios, reforçando a hipótese de que o principal desencadeador é o estresse metabólico causado pelo emagrecimento intenso.
Medidas ajudam a reduzir o risco
Embora nem todos os casos possam ser evitados, médicos destacam que algumas estratégias podem diminuir significativamente a chance de queda capilar durante o tratamento.
Entre as principais recomendações estão:
- manter uma alimentação rica em proteínas;
- evitar perdas de peso muito rápidas;
- monitorar os níveis de vitamina B12, ferritina e vitamina D;
- não aumentar a dose do medicamento sem orientação médica;
- realizar acompanhamento nutricional e médico durante todo o tratamento.
Os pesquisadores também alertam que deficiências nutricionais, baixa ingestão de proteínas, alterações na tireoide e deficiência de ferro podem aumentar ainda mais o risco de queda dos cabelos.
Minoxidil nem sempre é indicado
Apesar de ser um dos tratamentos mais conhecidos para problemas capilares, o Minoxidil não costuma resolver os casos de eflúvio telógeno. Especialistas explicam que, nas primeiras semanas de uso, o medicamento pode inclusive aumentar temporariamente a queda dos fios.
Seu uso costuma ser recomendado apenas quando há diagnóstico de alopecia androgenética ou quando a perda capilar persiste por um período superior ao esperado.
Suspender o tratamento nem sempre é necessário
Especialistas ressaltam que a queda de cabelo, na maioria dos casos, não representa um efeito tóxico direto das medicações e, por isso, interromper o tratamento nem sempre é a melhor alternativa.
Os benefícios dos agonistas de GLP-1 no controle da obesidade, do diabetes e na redução dos riscos cardiovasculares continuam sendo considerados relevantes pela comunidade médica. A recomendação é que qualquer decisão sobre continuidade ou suspensão do medicamento seja tomada em conjunto com o profissional responsável pelo acompanhamento.
Caso a queda dos fios permaneça por mais de três a seis meses, a orientação é procurar um dermatologista ou tricologista para investigar possíveis doenças capilares e definir o tratamento mais adequado.





