Caso Vorcaro aumenta pressão sobre Flávio Bolsonaro e acende alerta na base bolsonarista

A revelação de negócios entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, abriu uma nova crise nos bastidores da direita. Aliados e interlocutores do campo conservador avaliam que o episódio ampliou o desgaste do senador e passou a preocupar setores importantes da base bolsonarista. Segundo relatos de bastidores, […]

A revelação de negócios entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, abriu uma nova crise nos bastidores da direita. Aliados e interlocutores do campo conservador avaliam que o episódio ampliou o desgaste do senador e passou a preocupar setores importantes da base bolsonarista.

Segundo relatos de bastidores, Flávio passou a ser visto por parte de aliados como um nome politicamente “contaminado”, com risco de gerar reflexos negativos em campanhas locais e dificultar alianças para 2026. O incômodo atinge áreas consideradas estratégicas para o bolsonarismo, como mercado financeiro, agronegócio, lideranças evangélicas e classe política.

O senador confirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro após a prisão do banqueiro, mas afirmou que a relação entre os dois se limitava a uma negociação de investimento para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades.

Nos bastidores do Congresso e de partidos aliados, cresce o receio de que a associação com Vorcaro se torne um peso eleitoral. Embora publicamente o discurso ainda seja de unidade, parlamentares e dirigentes admitem desconforto com a possibilidade de ter que defender o senador durante campanhas estaduais e municipais.

No mercado financeiro, o ambiente é descrito como ainda mais sensível. Empresários e banqueiros relatam resistência até mesmo a encontros reservados com Flávio. A tentativa do senador de construir uma nova referência econômica para a direita, nos moldes do que Paulo Guedes representou em 2018, também enfrenta dificuldades. Nomes próximos, como Gustavo Montezano e Adolfo Sachsida, são vistos como figuras já associadas ao governo Bolsonaro, sem sinal de renovação.

O caso também repercute entre lideranças evangélicas. A movimentação em torno de Michelle Bolsonaro passou a ser observada com mais atenção por aliados, especialmente porque a ex-primeira-dama evitou entrar diretamente na defesa pública de Flávio. Esse comportamento preservou parte de seu capital político e alimentou conversas sobre seu possível papel em uma composição nacional da direita.

No agronegócio, apesar do alinhamento majoritário com o campo conservador, interlocutores relatam cautela. O setor acompanha com preocupação o acúmulo de desgastes políticos e jurídicos no entorno bolsonarista, especialmente diante da proximidade do calendário eleitoral.

A crise envolvendo Vorcaro ganhou força após reportagens apontarem que Flávio teria buscado recursos junto ao banqueiro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a Associated Press, o senador negou qualquer irregularidade e afirmou que se tratava de uma iniciativa privada, sem promessa de benefício público.

Reservadamente, aliados resumem o momento como uma mudança de patamar na crise: o problema deixou de ser apenas externo e passou a atingir setores centrais da própria base de sustentação política de Flávio Bolsonaro.