Mudança ocorre dias após operação atingir senador do PP; investigadores apontam suspeita de pagamentos mensais e atuação em favor do Banco Master
O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, decidiu trocar sua equipe de defesa no âmbito das investigações da Polícia Federal relacionadas ao chamado “caso Master”. A mudança foi anunciada oficialmente nesta segunda-feira (11), apenas quatro dias após a operação que colocou o parlamentar no centro de uma das apurações mais delicadas envolvendo políticos e o sistema financeiro em Brasília.
Em nota, o escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados informou que deixará de representar o senador no processo. Segundo o comunicado, a decisão foi tomada em comum acordo entre as partes.
“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, informou a banca.
A equipe era liderada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, um dos criminalistas mais conhecidos do país, e contava ainda com outros cinco advogados que acompanhavam o caso desde o início das investigações.
Troca de defesa amplia especulações
Nos bastidores políticos e jurídicos de Brasília, a mudança chamou atenção por ocorrer justamente no momento em que a investigação da Polícia Federal avança e ganha novos desdobramentos.
Especialistas apontam que trocas de defesa em investigações de grande repercussão costumam indicar reavaliações estratégicas, principalmente diante da possibilidade de novas fases da operação, denúncias formais ou eventual aprofundamento das acusações.
Segundo informações apuradas, houve uma avaliação conjunta do cenário jurídico entre os advogados e o senador, levando à decisão pela saída da equipe.
Até o momento, nem Ciro Nogueira nem os ex-defensores detalharam os motivos específicos da mudança. Também não foi divulgado quem assumirá oficialmente a defesa do parlamentar daqui para frente.
Operação colocou senador no centro da investigação
A mudança ocorre poucos dias após a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (7). A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras, influência política e vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Ciro Nogueira no Distrito Federal e no Piauí. A autorização foi concedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, há indícios de que o senador teria atuado politicamente em favor dos interesses do Banco Master em troca de benefícios financeiros supostamente pagos pelo grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre as suspeitas investigadas está o recebimento de uma suposta “mesada” de R$ 500 mil, além de outras vantagens consideradas indevidas pelos investigadores.
A apuração também menciona a apresentação de uma emenda legislativa que teria ampliado a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que poderia beneficiar diretamente instituições financeiras como o Banco Master.
Bloqueio milionário e prisão de investigados
Além das buscas, a decisão judicial determinou o bloqueio de bens de até R$ 18,85 milhões relacionados à investigação.
A operação também atingiu outros nomes ligados ao caso, incluindo Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, que acabou preso durante a ofensiva da PF.
O caso passou a ser tratado nos bastidores políticos como uma das investigações mais sensíveis envolvendo figuras do centrão nos últimos anos, principalmente pelo peso político de Ciro Nogueira dentro do Congresso Nacional.
Clima de tensão política
Aliados do senador acompanham o avanço das investigações com preocupação. Ciro é considerado uma das principais lideranças do Progressistas e um dos nomes mais influentes do cenário político nacional, tendo ocupado o cargo de ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto a investigação segue sob sigilo em parte de seus detalhes, cresce a expectativa sobre os próximos passos da Polícia Federal e sobre possíveis novas medidas judiciais envolvendo o caso Master.
A defesa do senador nega irregularidades e sustenta que ele não praticou qualquer ato ilícito. Entretanto, a troca repentina da equipe jurídica reforçou o clima de tensão e ampliou a repercussão política da investigação em Brasília.





