Promotora da Geórgia é punida após uso incorreto de IA gerar citações falsas em caso de assassinato

Suprema Corte do estado pune Deborah Leslie, que causou erro judicial ao incorporar informações falsas geradas por inteligência artificial Atlanta — A Suprema Corte da Geórgia aplicou uma punição severa a Deborah Leslie, promotora assistente do condado de Clayton, após descobrir que ela usou ferramentas de inteligência artificial de forma inadequada em um caso de […]

Suprema Corte do estado pune Deborah Leslie, que causou erro judicial ao incorporar informações falsas geradas por inteligência artificial

Atlanta — A Suprema Corte da Geórgia aplicou uma punição severa a Deborah Leslie, promotora assistente do condado de Clayton, após descobrir que ela usou ferramentas de inteligência artificial de forma inadequada em um caso de assassinato, levando à inclusão de citações falsas em uma decisão judicial.

Na terça-feira (5), o tribunal determinou que Leslie fosse suspensa de atuar perante os juízes por seis meses e obrigou-a a passar por um treinamento adicional focado em ética jurídica, redação de documentos e uso correto de ferramentas de IA.

Citações falsas prejudicam decisão judicial

O caso envolvia Hannah Payne, condenada à prisão perpétua mais 13 anos por assassinato e cárcere privado. Leslie foi responsável pela elaboração de uma minuta de decisão que recomendava a rejeição de um pedido de novo julgamento. No entanto, a minuta continha “numerosas citações fictícias ou atribuídas erroneamente”, que foram aceitas pelo juiz responsável, incluindo-as na sentença final.

“Citar casos que não existem ou que não sustentam a tese para a qual são citados é uma violação das normas deste tribunal”, escreveu o juiz Benjamin Land, condenando a conduta da promotora.

Falha na verificação das informações

Leslie admitiu seu erro em um documento anterior, explicando que não havia verificado de forma independente as citações geradas pela inteligência artificial utilizada. A ferramenta havia gerado as referências falsas, e a promotora não conferiu se estavam corretas antes de apresentá-las ao tribunal. Nem Leslie nem a promotoria do condado de Clayton responderam aos pedidos de comentário sobre o caso.

Consequências para o caso de Hannah Payne

O advogado de Payne, Andrew Fleischman, criticou a má conduta do Estado, afirmando que os erros prejudicaram o caso de sua cliente. “Hannah Payne tem argumentos sólidos para apelação. É lamentável que a má conduta do Estado esteja agora atrasando sua oportunidade de ter essas questões decididas”, afirmou.

Após identificar a falha, a Suprema Corte da Geórgia anulou a decisão judicial e ordenou que uma nova sentença fosse elaborada sem as citações falsas.

O uso de IA no sistema judiciário

Este caso chama atenção para o uso crescente de inteligência artificial no sistema judiciário dos Estados Unidos, onde ferramentas de IA são utilizadas para pesquisas jurídicas e elaboração de textos legais. No entanto, esse incidente destaca os riscos de confiar exclusivamente em IA sem a devida verificação humana. Tribunais já têm aplicado punições a advogados que fazem uso indevido da tecnologia, e o erro de Leslie serve como um alerta para outros profissionais da área jurídica.