CSA vai à Justiça contra a FFU e tenta barrar entrada do Grêmio em bloco de clubes

Clube alagoano questiona regras de votação da liga, pede liminar para suspender novas adesões e aponta desigualdade na divisão de receitas.

O Centro Sportivo Alagoano (CSA) entrou na Justiça contra a Futebol Forte União (FFU) em uma tentativa de barrar ou ao menos atrasar a possível entrada do Grêmio no bloco de clubes. A ação foi protocolada no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) e questiona diretamente as regras de governança e votação da entidade.

O clube alagoano pede uma liminar para suspender a admissão de novos integrantes na FFU até que o processo seja analisado pela Justiça. A movimentação ocorre em meio à expectativa de que o Conselho Deliberativo do Grêmio decida nos próximos dias sobre a saída da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) para se juntar ao grupo rival.

Atualmente disputando a Campeonato Brasileiro Série D, o CSA integra a categoria de “associado C” dentro da FFU — um nível que, segundo o estatuto da organização, permite apenas participação como observador nas reuniões. Isso significa que o clube pode se manifestar nas discussões, mas não possui direito a voto nas decisões estratégicas, privilégio reservado aos clubes das Séries A e B do Brasileirão.

Na petição apresentada à Justiça, o CSA compara o modelo de governança da FFU a uma empresa que retira o direito de voto de acionistas minoritários. Para o clube, a regra fere princípios básicos de governança e pode representar uma violação constitucional ao limitar a participação de determinados associados nas decisões do grupo.

Outro ponto central da ação envolve a divisão de receitas dentro do bloco. O CSA afirma que decisões tomadas pelos clubes das duas principais categorias da FFU já produziram “desigualdade flagrante” na distribuição de recursos comerciais.

Como exemplo, o clube cita o caso do Fortaleza Esporte Clube, que, mesmo rebaixado à Campeonato Brasileiro Série B, teria direito a cerca de R$ 25 milhões provenientes do contrato de placas publicitárias, enquanto outros clubes da mesma divisão receberiam aproximadamente R$ 4 milhões.

Além disso, o CSA argumenta que acordos firmados entre a FFU e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) preveem a necessidade de notificação e discussão sobre a entrada de novos membros. Por isso, o clube reivindica ao menos o direito de participar da votação sobre a possível adesão do Grêmio.

Procurada pela imprensa, a FFU ainda não detalhou sua posição oficial sobre a ação judicial. Nos bastidores, no entanto, o episódio expõe mais um capítulo da disputa política e comercial que envolve a organização das futuras ligas do futebol brasileiro.