Keely Hodgkinson venceu os 800 metros do Athlos em Londres usando macacão desenvolvido pela Nike durante cerca de um ano; tecnologia busca reduzir resistência do ar
A campeã olímpica Keely Hodgkinson chamou atenção dentro e fora das pistas ao competir com um traje futurístico desenvolvido especialmente para provas de velocidade.
A britânica venceu os 800 metros do Athlos London 2026, em Londres, vestindo um macacão preto que cobre praticamente todo o corpo e reúne soluções aerodinâmicas criadas para reduzir a resistência do ar durante a corrida.
A aparência incomum da roupa rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. Com mangas e pernas compridas, capuz, abertura nas costas e até um espaço específico para o rabo de cavalo da atleta, o uniforme mistura tecnologia esportiva e elementos de moda.
Hodgkinson completou os 800 metros em 1min56s40, vencendo a prova com mais de dois segundos de vantagem sobre a segunda colocada.
Traje levou cerca de um ano para ser desenvolvido
O macacão foi produzido pela Nike em colaboração direta com Hodgkinson. O processo de desenvolvimento durou aproximadamente 12 meses e levou em consideração medidas corporais, movimentação durante a corrida, conforto e características aerodinâmicas.
Segundo a fabricante, o objetivo era criar uma espécie de “segunda pele”, com ajuste preciso ao corpo e poucas interferências capazes de aumentar o arrasto durante uma prova.
A roupa possui áreas pensadas para favorecer mobilidade e controle térmico, além de minimizar costuras e outros elementos que poderiam interferir no deslocamento da atleta.
Outra característica são pequenos elementos tridimensionais incorporados ao tecido. De acordo com a Nike, os chamados geradores de vórtice foram projetados para modificar o fluxo de ar ao redor do corpo e potencialmente diminuir a resistência aerodinâmica. Trata-se de uma alegação de desempenho apresentada pela fabricante.
Quanto mais pele coberta, maior pode ser o benefício aerodinâmico
A estratégia chama atenção porque segue uma lógica diferente da utilizada em muitos uniformes tradicionais do atletismo, nos quais braços e pernas costumam permanecer descobertos.
Dan Farron, vice-presidente de inovação em design da Nike, explicou que a equipe trabalhou com a possibilidade de obter vantagens aerodinâmicas ao utilizar materiais específicos em uma área maior do corpo da atleta.
O resultado foi um traje de corpo inteiro, com aparência que chegou a ser comparada a figurinos de super-heróis.
A própria Hodgkinson definiu o projeto como uma combinação de “moda, velocidade e ciência” após vencer em Londres.
Até o cabelo entrou na discussão sobre aerodinâmica
Um dos detalhes mais curiosos está no capuz. Apesar de cobrir a cabeça, ele possui uma abertura para que Hodgkinson consiga correr com seu tradicional rabo de cavalo para fora.
Segundo a atleta, os responsáveis pelo desenvolvimento explicaram que, aerodinamicamente, deixar o cabelo exposto não seria a opção mais eficiente. Hodgkinson, porém, insistiu em preservar esse elemento de sua aparência durante as competições.
O projeto buscou, dessa forma, equilibrar desempenho, conforto e identidade visual.
Vitória encerrou temporada da campeã olímpica
Hodgkinson utilizou o traje na prova dos 800 metros do Athlos, realizada no StoneX Stadium, em Londres.
A britânica dominou a disputa e terminou em 1min56s40, encerrando sua temporada com mais uma vitória. O resultado ficou acima de seu recorde britânico de 1min54s33, mas confirmou a atleta novamente entre os principais nomes da distância.
A corredora conquistou a medalha de ouro nos 800 metros nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e se consolidou como uma das principais referências mundiais da prova.
Athlos mistura atletismo, entretenimento e moda
A escolha do Athlos para apresentar oficialmente o uniforme também não foi por acaso.
Criado pelo empresário Alexis Ohanian, cofundador do Reddit e marido da ex-tenista Serena Williams, o evento é voltado exclusivamente para mulheres e busca apresentar o atletismo em um formato que combina competição esportiva, música, entretenimento e moda.
A edição de Londres foi a primeira realizada fora dos Estados Unidos e reuniu nomes importantes do atletismo feminino. Além de Hodgkinson, atletas como Sha’Carri Richardson, Gabby Thomas e Marileidy Paulino venceram suas respectivas provas.
Tecnologia pode indicar novos caminhos para o atletismo
Trajes que utilizam conceitos aerodinâmicos não são totalmente inéditos nas pistas. Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000, quando a australiana Cathy Freeman conquistou o ouro nos 400 metros utilizando um uniforme de corpo inteiro desenvolvido pela Nike.
Mais de duas décadas depois, a combinação entre novos materiais, análises digitais do corpo dos atletas e impressão 3D abre espaço para soluções ainda mais específicas.
No caso de Keely Hodgkinson, o traje foi produzido como uma peça exclusiva. Por enquanto, não há demonstração independente de quanto do desempenho registrado em Londres pode ser atribuído diretamente ao uniforme.
Mesmo assim, a repercussão alcançada pelo macacão mostra como tecnologia, ciência esportiva e design estão se aproximando cada vez mais no atletismo de alto rendimento, onde diferenças de centésimos de segundo podem ter impacto decisivo.